Diário de Antônio

Eu olhei pela janela do meu apartamento e as árvores estavam todas secas. Imóveis, os galhos não se mexiam. Daí eu olhei mais pra baixo, e vi uma mãe brincando com seu filho na grama. Ele pisava nas folhas, gostando do som que faziam. Uma mulher estava parada de olhos fechados, sentindo o vento. Um grupo de adolescentes passou conversando alto, e um homem caminhava olhando pelo celular e rindo. Olhei de novo para o horizonte e não vi nada além de árvores secas. De repente me vi como uma delas, e desejei tanto que chovesse. Me perguntei se algum dia voltaria a florescer. Então lá embaixo um homem começou a tocar saxofone. Alguma coisa dentro de mim acordou e eu senti que poderia me levantar daquela cadeira e dançar. Com grande esforço me levantei e dancei, dancei, dancei. Movi todos os meus músculos, e então um som que há tanto tempo não saía da minha boca... Eu dançava e ria, como se não houvesse amanhã. E dos meus olhos lágrimas molhadas começaram a cair, molhando meu corpo cascudo como num banho de cachoeira.



08/08/2014

Não me lembro seu nome. Se era Carla, Michele, Patrícia, Natasha, Sheila. Escolhi de longe. Loira. Eu gosto de loiras. Ela veio, tinha um perfume doce. Entrou no meu carro, fomos pra minha casa. Ela ficou à vontade. Conversamos, preparei o terreno. Na minha cama, tensão sexual, desejo, cheiro de sexo. Ela não quis beijo, mas deixou que eu chupasse seu pau. E eu chupei, chupei muito, pau grande, grosso, gostoso, durante muito tempo. Ela gemia de prazer, dizia isso, isso, continua. Ofereci mais dinheiro, dinheiro não era problema. Queria que ela chupasse meu cu. Ela não quis, então foi no seco mesmo. De quatro, ela me comeu enquanto perguntava se eu gostava. Sim, eu mal consegui responder. Sim, sim, vai. Eu ria, gozando. Eu não estava ali, eu não estava em lugar nenhum. Naquela hora nada nem ninguém me importava. Simplesmente estava ali, minha cabeça vazia, nenhum daqueles idiotas. Ela gozou, eu gozei, o pau ainda dentro de mim. Fumamos, conversamos um pouco mais. Levei-a até a porta. Natascha, com SCH, ela disse. Marcamos um outro encontro. Gostei do jogo.


07/08/2014

Comecei a sentir muitas coceiras no meu corpo, em partes variadas, alguns vermelhões. Não sei o que é, nunca fui de ter alergias. Estava no trânsito e passei logo em uma farmácia pra comprar alguns remédios. Deve ser o excesso de trabalho, todo esse stress diário, pessoas incompetentes ao meu redor, eu tendo que fazer o trabalho delas, rever coisas que deveriam chegar prontas pra mim. Já dizia o Oscar do Rei Leão... "Estou cercado de idiotas". Melhor nem começar a falar.
Cheguei em casa e havia uma ligação da minha mãe na secretária eletrônica (é vintage). Não ouvi, depois eu ouço. Tenho e-mails pra responder, reunião amanhã cedo, preciso me preparar, escolher a roupa, passar essas pomadas que comprei nessa coceira irritante... E meu creme anti-olheiras, ninguém merece acordar coçando e ainda com olheiras.

Ela ligou de novo e deixou um recado:
- Oi, meu filho, por onde você anda? Faz tanto tempo que não nos falamos. Teu pai anda meio gripado...

Preguiça. Tenho mais o que fazer. Fica pra depois, mãe.


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