terça-feira, 26 de agosto de 2014

Metodologias de criação

- Improvisação a partir de uma frase de movimento (criada pela Giselle).
Que desdobramentos podem surgir?
Inserção de uma frase textual, exploração.
Como ressignificar a frase de movimento? (Exemplo Yasmin)

- Improvisação a partir dos órgãos internos
Exploração da sonoridade a partir dos órgãos.

Elemento: falar balançando a boca rapidamente.

- Improvisação individual livre / não lógica / para nada.

Antônio engana que ama trabalhar. Dando saltos de balé, diz: "Eu tenho uns e-mails pra responder!! Êêêê coisa boa!" (muito movimento, comemora falsamente)
(pausa) Minha mãe me ligou... Eu não atendi (serenamente, para o público. Deixa que o público julgue).
Pensa: Ela ligou, foda-se, ok, eu não atendi.

* Coceira da cascaridíase: se coçar utilizando objetos: se coçar com uma garrafa, se coçar na parede...

[Trazer consciência para o que aparece inconscientemente. Capacidade de resgatar o lugar, acioná-lo de novo. Energia vibrante - corpo vibrátil gera momentos preciosos. É importante ouvir o seu corpo].

- Vogais
A partir de frases com as vogais, encontros entre duplas (reação do público diante do ilógico), em seguida criação de cenas.
Ana. Para casal. Molhada, safada, danada. Ama anal.
A casca abafa! Agrária! A casca abafa, arrasta pra lá, nada traz.

- Cena a partir de nosso histórico na disciplina:
Chegada, linha/coletivo, Myka no meio, dois grupos - PS e PP, Giselle e Fernando ("pai e mãe"), celulares.

- Exploração a partir do som. 
Apito de navio, consciência da ligação boca/ânus, reverberações na coluna.

Elementos:
(1) Boca: "Neutro". Se deixa contaminar. Começa pequena movimentação na boca, como um ganho, uma isca fisgando o lábio. Volta à raiz. Vai contaminando. Exploração dos lábios. Troca com o público. Volta à raiz. Caminha pelo espaço. (o sentido está no gesto, apenas)
(2) Desespero catatônico: Conexão céu-terra, exploração do som iiiih. Mãos na cabeça, barulho dentro cabeça, imagem de muitos relógios. Não sofrer. Voz bem aguda e fraca, um fio de voz.
(3) Criança/sociedade: Bate o pé, som agudo que vem do peito. Risadinha, escárnio. Caminha, bate o pé (composição 1, 2, 3...). Levanta o dedo bem suave, e diz: puuuuuuu-ta, apontando para alguém.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Escrita automática e Elementos

Chega, cala a boca, pessoa pequena, pessoa burra. Olhe direito, faça direito, seja igual a mim. Seja meu espelho. Não caia. Me olho e procuro esse espelho. Me decepciono. Você é uma anta. Não me toque. Não escuto. Chego em casa, sozinho. Trabalho. Mais, mais. Creme anti-rugas. Uma mancha, que diabos é isso? Ela vai perceber. Foda-se. Nunca me importei. Ah, uh, eh. O que é isso? Garganta trava. Branco. Respira. Não me importa. Narciso. Psicopata. Psicoputa. Preciso ver uma. Puta. Psicóloga. Remédios. Mais lindo, mais rico, mais poderoso. Tenho tudo. Sempre tive. Só ajo não penso, piso, mato aquela barata. Pessoas fracas, saiam, não encostem. Que cc é esse? Odeio esse cheio de caca. Sozinho. Me sinto sozinho. Ansiolítico. Celular, celular, dormir, acordar para que? Trabalho. Beber. Encher o cu de cana. Esquecer. Sou frágil. Lágrimas cascudas, lágrimas de pedra. Meu coração é o que? Pensamento tolo. Não, eu não. Natascha. Cu. O cu é democrático.

Elementos do improviso livre partindo de explorações com a coluna:
Look fierce.
Desespero.
Es-go-ta-do
Me dê a mão
Isso vem de algum lugar?

Para registro, o Me dê a mão vem de uma música do Tom Jobim, que acabei de ver qual é. No improviso só me veio o verso Me dê a mão vamos sair pra ver o sol... Ouvindo agora, penso que dialoga com o desejo de libertação de Antônio.
O Inconsciente...

https://www.youtube.com/watch?v=BaSc8GAV96g

Do espaço de prazer e troca

"O teatro, tal como todas as outras artes, tem estado, sempre, empenhado em divertir. E é este empenho, precisamente, que lhe confere, e continua a conferir, uma dignidade especial. Como característica específica, basta-lhe o prazer, prazer que terá de ser, evidentemente, absoluto. Tornando-o um mercado abastecedor de moral, não o faremos ascender a um plano superior; muito pelo contrário, o teatro deve justamente se precaver nesse caso, para não degradar-se, o que certamente sucederá se não transformar o elemento moral em algo agradável ou, melhor, susceptível de causar prazer aos sentidos. Tal transformação irá beneficiar, justamente, o aspecto moral. Nem sequer se deverá exigir ao teatro que ensine, ou que possua uma utilidade maior do que uma emoção de prazer, quer orgânica, quer psicológica. O teatro precisa continuar a ser algo absolutamente supérfluo, o que significa, evidentemente, que vivemos para o supérfluo. E a causa dos divertimentos é, dentre outras, a que menos necessita de ser advogada."

"Qual o prazer específico, a diversão própria da nossa época?"

Na segunda-feira, primeiro dia de trabalho, manifestei minha vontade de levarmos o teatro às pessoas. Se as pessoas não vão ao teatro, levemos o teatro às pessoas. Em nossa época, este não tem sido um prazer que as pessoas buscam recorrentemente. O teatro de rua, infelizmente, não pareceu uma opção desejada pela turma, pelas particularidades desse fazer, por questões técnicas. Não sei por que. Independente disso, compartilhei que, se na caixa preta, espero mais do que simplesmente me sentar em uma cadeira e de longe assistir a uma encenação bem executada mas que não me mova. Me lembrei do filme Tatuagem, em que o grupo de teatro se apresenta em um espaço convidativo, despojado, informal, cotidiano, em que certamente o prazer se manifesta, mesmo que ali no palco sejam representadas questões morais. Atores e público estão à vontade e se divertem. É um espaço assim que desejo e que penso se aproxima à realidade da rua que será retratada. Se não podemos estar na rua, que ao menos proporcionemos a atmosfera de liberdade da rua. A rua é livre, e é por isso que as garotas de programa estão nela.

Neste teaser do filme se pode vislumbrar um pouco desse ambiente: http://www.youtube.com/watch?v=V22fj-hSUyo

Esses trechos foram retirados do Pequeno Órganon para o Teatro. Brecht, falando para o público, parece tratá-lo de uma forma tão direta e aberta. Isso me interessa. Em outras palavras, diz: Não se esqueçam de quais são seus interesses (que são uma fonte de alegria) enquanto estiverem conosco. Entregamos o mundo aos seus cérebros e aos seus corações para que o modifiquem a seu critério.

Que haja comunicação.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

escolhi mexer com o podre, maximizar a merda, jogar no ventilador, fazer um personagem insensível, ditatorial, cascudo, hipócrita, mesquinha, egoísta, travado, preconceituoso.
por que? de onde isso vem nele?
qual o outro lado? a origem?
onde ele esconde sua humanidade? como ela se manifesta?
por que a casca?

e se a causa forem repressões?

reprimir:
1- suster a ação, o movimento ou o progresso de;
2- impedir, proibir pela ameaça ou pelo castigo;
3- dominar(-se), não deixar manifestar(-se), sofrear(-se), suster(-se);
4- oprimir, vexar, violentar;

isso é novo.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Do corpo ao texto

Refletindo sobre a cena que criamos semestre passado, o talkshow, concluí que me aventurei por um caminho que não tenho muito domínio. Em um exercício de escrita coletivo, mas encabeçado por mim, eu diria, escrevemos a cena. Isto é, partimos da construção textual. Personagens e falas vieram da imaginação, de pesquisas na internet e claro, de tudo o que borbulhava dentro de cada um, embora não ache que a cena tenha contemplado as vontades das outras atrizes.
Minha criação parte do corpo. As montagens que considero mais influenciadoras em minha trajetória tiveram como ponto de partida o corpo. Em Gota, montagem de Interpretação e Montagem, exploramos matrizes e partituras corporais; nos trabalhos do NEM, levantamos material por meio da improvisação, que dá abertura para o som e a palavra, mas que também parte do movimento. De forma semelhante, embora com diferentes abordagens, nos três TEAC's junto à Márcia Duarte, em Movimento e Linguagem 4 com "Estoy Solito", no meu projeto de direção "Dodecaedro", na peça "Na ponta dos pés" (Teatrando Montagem)... Enfim, vejo que nesses casos o texto veio depois. Mesmo que já houvesse um texto, como em Gota ou Dodecaedro, ele foi incorporado depois da experimentação física.
Assim, o estado corporal e as sensações que a ação física, o movimento, o jogo geram em mim são muito importantes para o meu posterior trabalho de texto. Por mais que se diminua, se elimine, deixando o físico em uma proporção mais interna do que externa, preciso deste motor que é menos psicológico.
Lendo sobre Meierhold, encontro cruzamentos com essa forma de criar. Guinsburg diz que:
 (...) precisão e racionalização eram primordiais. Cada gesto, cada dobra do corpo devia obedecer a um desenho exato, pois se a forma é justa, afirmava Meierhold, as entonações e as emoções também hão de sê-lo. Nesse caso, tratava-se de atuar primeiro fisicamente e não de sentir primeiro psicologicamente, como pretendia Stanislavski (...) Tratava-se de dominar, mediante o seu princípio, as leis da movimentação do ator no espaço cênico por meio de experiências relativas a esquemas de exercícios corporais e processo de desempenho. 
Não penso que a racionalização no meu caso seja tão importante, já que trabalho com a improvisação e com o que emana do inconsciente, do mergulho em si (que encontro reverberações com o Movimento Autêntico de Whitehouse). Mas sem dúvida, o que destaquei em negrito se aplica ao meu processo.
Sei que não há certo e errado, não sou discípulo de ninguém, prezo a liberdade artística e a inspiração nos mestres para fazer o seu. Mas certamente há afinidades e treinamentos que acabam te direcionando para um ponto de partida.
No caso da cena do talkshow, talvez tenha me equivocado de trazer primeiro o texto e a partir dele construir a cena. Foi algo que não estava habituado, um desafio que me envolveu mas que não é muito minha pegada. Já escrevi uma peça em uma disciplina de Dramaturgia, mas tive todo um semestre para imaginá-la e minhas experiências posteriores foram diferentes e mais frequentes: primeiro no corpo, e o texto nasce nas anotações, nos diários de bordo. Depois é revisto, reescrito, encontra-se uma referência que o enriquece, então é decorado, experimentado, incorporado ou não, etc. Ou se trabalha corporalmente e de repente (claro que nunca se para de buscar, não vai cair do céu) aparece um texto que faz todo o sentido, como aconteceu com um texto do Beckett que usei semestre passado no "Nem aí".
Enfim, que sirva de aprendizado, autoconhecimento, direcionamento para o que vem por aí, afinal todos queremos nos desafiar, mas também saber colocar na roda o que temos e fazemos de melhor.

Referência: J. Guinsburg, Stanislavski, Meierhold & Cia, pág. 80.

domingo, 3 de agosto de 2014

Música

Isso é meio sublime e grotesco para mim:

https://www.youtube.com/watch?v=8RC9NPemUIg