No último encontro trabalhamos o puxa-empurra, deixando textos e relações surgirem.
Pintaram novas coisas. Antônio e Brunna, Transa Antônio e Natascha com Susy como objeto; Término de Ant e Nat; Ant põe Suzy contra a parede; Psicoputa fala verdades, Ant e Nat na intimidade.
Importante lembrar não só do texto, mas da fisicalidade que acontecia na experimentação. Algumas eu guardei, outras não.
Depois trabalhamos a cena da festa. A coreo que criamos na sexta não foi usada, mas de qualquer forma é bom ver a coisa tomando um pouco de forma.
Vejo que há muitíssimo trabalho pra levantar essa peça, me preocupa o tempo e a dramaturgia.
Hoje passei horas organizando os materiais que temos, e estou um pouco cansado de ficar cobrando das pessoas que postem suas anotações. Me sentindo sobrecarregado.
Só tento me lembrar de um conselho da Clarice, pra tomar cuidado em pensar tanto na dramaturgia, que meu próprio personagem fica de lado...
Lua em peixes...
terça-feira, 23 de setembro de 2014
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Relações
Conversando com o Cris, pensamos que: as pessoas do escritório podem descobrir o caso de Antônio com Natacha e ele termina com ela. Por conta disso, se vê ainda mais solitário.
- Ele dá presentes pra ela, coisas de marca, um celular.
- Outra coisa: Natacha de certa forma mostrar a "auto-corrupção" de Antônio, pois ele se abre com ela. Em uma conversa, se descobre que o pai de Antônio contratava garotas de programa, e Antônio via tudo isso quando pequeno. Desenvolveu um fetiche por elas - o que explica contratá-las sempre, mesmo que não as deseje sexualmente. Ele então projeto o que quer ser, o que quer ter (mesmo que não necessariamente sexualmente), o poder do pai sobre as prostitutas, o poder das prosts sobre sobre o pai. O fetiche de possuir, de ser, o desejo gerado pelo abandono.
- A cascaridíase aparecer em sonho, na caminhada que criei por exemplo, no texto da janela.
Os personagens, como um poliedro, tem várias faces.
Referências imagéticas
Fernando compartilhou várias referências no FB, coloco para registro as que se relacionam com Antônio. Me lembraram um elemento que tenho, de falar mexendo a boca (cheguei em casa, tinha uma ligação na secretária eletrônica, não atendi, tenho uns e-mails pra responder, uma reunião amanhã cedo, que passar uma pomada nessas coceiras...)
Pinturas de Francis Bacon.
Dramaturgia
Na sexta, 26, conversamos com Villar sobre os personagens, relações, dramaturgia. Os que haviam feito os relatos a partir da obsrevação da linha da vida, leram. Textos interessantes. Me esqueci completamente e acabei não fazendo o do Cris e da Suelen, quem eu havia observado.
Novamente, e devido aos relatos, vislumbramos a possibilidade de trabalharmos com as narrativas, de forma a deixar mais clara a relação entre as personagens. Os personagens que tem relação falarem de si, por exemplo: Natacha e Susy.
-> Revelar um opinião, o que pensam, falarem o que quiser.
Interessante a possibilidade de haver uma divergência de opiniões, um fala uma coisa e outro contradiz. Dizer e desdizer: "parece que a Susy sempre quis ser secretária" NAT - "eu queria ser artista..." - SUSY).
Em breve postarei o texto que a Suelen escreveu sobre Antônio. Gostei da frase "um homem da minha não pode ser viado"; do pedigree; de sua constante descartabilidade.
Fernando nos alertou para tomarmos cuidado com muitos "sei lá". É preciso preencher essas dúvidas.
Falamos de cada personagem. No final, levantamos a questão de como tangenciar assuntos contemporâneos na peça, afinal somos jovens, os personagens na maioria são jovens, vivemos nesse mundo de facebook, tinder, instagram...
Pensei na possibilidade de fazer um paralelo entre as palavras que significam "puta" e os hashtags, por exemplo:
ABRE ABRE - ACREANA - ANDORINHA - ARGENTINA - BAGAXA - BAGACEIRA - BALALAICA - ETC... (arquivo Face)
#me # selfie #picoftheday #vscocam #boy #bsb #champagne ....... etc.
Novamente, e devido aos relatos, vislumbramos a possibilidade de trabalharmos com as narrativas, de forma a deixar mais clara a relação entre as personagens. Os personagens que tem relação falarem de si, por exemplo: Natacha e Susy.
-> Revelar um opinião, o que pensam, falarem o que quiser.
Interessante a possibilidade de haver uma divergência de opiniões, um fala uma coisa e outro contradiz. Dizer e desdizer: "parece que a Susy sempre quis ser secretária" NAT - "eu queria ser artista..." - SUSY).
Em breve postarei o texto que a Suelen escreveu sobre Antônio. Gostei da frase "um homem da minha não pode ser viado"; do pedigree; de sua constante descartabilidade.
Fernando nos alertou para tomarmos cuidado com muitos "sei lá". É preciso preencher essas dúvidas.
Falamos de cada personagem. No final, levantamos a questão de como tangenciar assuntos contemporâneos na peça, afinal somos jovens, os personagens na maioria são jovens, vivemos nesse mundo de facebook, tinder, instagram...
Pensei na possibilidade de fazer um paralelo entre as palavras que significam "puta" e os hashtags, por exemplo:
ABRE ABRE - ACREANA - ANDORINHA - ARGENTINA - BAGAXA - BAGACEIRA - BALALAICA - ETC... (arquivo Face)
#me # selfie #picoftheday #vscocam #boy #bsb #champagne ....... etc.
Pausa!
Quinta-feira, 18/09/2014
Como estava muito calor, fizemos um aquecimento a partir da manipulação do outro, em duplas. De olhos fechados, a ideia era mover o outro pelo espaço, aquecendo articulações. Papeis tendo sido invertidos, ambos fecharam os olhos a fim de deixar que o movimento fluísse, experimentando também outros planos, saindo do chão. Se cruzássemos com alguém, devíamos deixar a interação acontecer. A música de fundo era bem suave e me levou para um lugar bastante onírico.
Fiz o exercício com a Júlia, e depois penso que encontrei a Amanda e mais alguém. Interessante as sutilezas que aparecem, pois a escuta fica bastante acurada.
Depois, em dois grupos de cinco ou seis, fizemos o mesmo exercício. Todos de olhos fechados, nos manipulamos, mas agora cada um deveria fazer um relato do dia do seu personagem.
Hoje Antônio acordou, fez isso, fez aquilo...
Um por um, deixamos os relatos virem.
Em seguida, de olhos abertos, Giselle propôs uma movimentação em grupo: de forma limpa, sem entrar numa onda "contato-improvisação", devíamos nos mover pelo espaço, em contato, em bolinho. Deixar que o acaso e os olhares criassem as relações. Nessa proposta, agora deveríamos trazer também: 1- a própria voz do personagem; 2- um comentário do ator sobre o personagem; 3- uma narrativa sobre o personagem.
Depois juntamos o grupo, e não funcionou tão bem. É preciso ter uma escuta e entender e comprar o jogo do outro com muita fluidez. Às vezes a coisa se imbolava demais, não entendíamos muito bem.
Durante toda a experimentação, aliás, ponto importantíssimo: as PAUSAS. Sempre devíamos chegar numa pausa, tentando deixá-la se instalar, tentando deixar que a energia da pausa irradiasse. Dificil chegarmos nas pausas e controlar a ansiedade de se mover, mas quando acontecia era bem forte.
No final, conversamos sobre a experimentação. Foram interessantes algumas imagens que surgiram: Yasmin e o filho (camiseta), pressão na Myka; O elemento "es-go-ta-do" tirando a camiseta; Antônio e Susy: ela olhando no espelho e vendo Antônio; a questão do status - houve um momento em que de fato sentei e fiquei de pé em cima da Susy. Não sei se necessariamente utilizaremos isso em cena, mas a percepção do silêncio, da pausa e as possibilidades de narrativas/depoimentos/comentários certamente devem ser lembradas.
Como estava muito calor, fizemos um aquecimento a partir da manipulação do outro, em duplas. De olhos fechados, a ideia era mover o outro pelo espaço, aquecendo articulações. Papeis tendo sido invertidos, ambos fecharam os olhos a fim de deixar que o movimento fluísse, experimentando também outros planos, saindo do chão. Se cruzássemos com alguém, devíamos deixar a interação acontecer. A música de fundo era bem suave e me levou para um lugar bastante onírico.
Fiz o exercício com a Júlia, e depois penso que encontrei a Amanda e mais alguém. Interessante as sutilezas que aparecem, pois a escuta fica bastante acurada.
Depois, em dois grupos de cinco ou seis, fizemos o mesmo exercício. Todos de olhos fechados, nos manipulamos, mas agora cada um deveria fazer um relato do dia do seu personagem.
Hoje Antônio acordou, fez isso, fez aquilo...
Um por um, deixamos os relatos virem.
Em seguida, de olhos abertos, Giselle propôs uma movimentação em grupo: de forma limpa, sem entrar numa onda "contato-improvisação", devíamos nos mover pelo espaço, em contato, em bolinho. Deixar que o acaso e os olhares criassem as relações. Nessa proposta, agora deveríamos trazer também: 1- a própria voz do personagem; 2- um comentário do ator sobre o personagem; 3- uma narrativa sobre o personagem.
Depois juntamos o grupo, e não funcionou tão bem. É preciso ter uma escuta e entender e comprar o jogo do outro com muita fluidez. Às vezes a coisa se imbolava demais, não entendíamos muito bem.
Durante toda a experimentação, aliás, ponto importantíssimo: as PAUSAS. Sempre devíamos chegar numa pausa, tentando deixá-la se instalar, tentando deixar que a energia da pausa irradiasse. Dificil chegarmos nas pausas e controlar a ansiedade de se mover, mas quando acontecia era bem forte.
No final, conversamos sobre a experimentação. Foram interessantes algumas imagens que surgiram: Yasmin e o filho (camiseta), pressão na Myka; O elemento "es-go-ta-do" tirando a camiseta; Antônio e Susy: ela olhando no espelho e vendo Antônio; a questão do status - houve um momento em que de fato sentei e fiquei de pé em cima da Susy. Não sei se necessariamente utilizaremos isso em cena, mas a percepção do silêncio, da pausa e as possibilidades de narrativas/depoimentos/comentários certamente devem ser lembradas.
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Linha da vida
A partir do exercício proposto pelo Fernando de fazermos a linha da vida do personagem, cheguei à algumas conclusões sobre Antônio. De forma não cronológica:
Realmente Antônio ama Natacha. Quando novo tinha tudo, a mãe que dava. O pai mal dava as caras, a certa altura morreu. Não tinha amigos, desde novo entrava na internet para se satisfazer. Depois contratava garotas de programa, mas mais para exercer seu poder sobre elas. Mandá-las fazer coisas. Seu lado homo (enrustido) satisfazia em boates, dark rooms. Na empresa demite as pessoas, não aceita fofocas, preza sua imagem. Não tem paciência. Acha justo o lugar que está: "Se eu estou aqui é pelo meu trabalho. A culpa não é minha de ter mendigo, criança pedindo esmola". Extremamente solitário, só revele sua fragilidade com Natacha, mas ainda tem preconceito, bate nela. Quando ela o abandona, se vê ainda mais só. Bebe whisky e cheira pó. Começa a ter sintomas, coceiras (psicofísico). Matava insetos quando criança, aprisionava eles. Desde cedo dava ordens à empregada, aos colegas. Com 16 anos, comprou um diploma e foi trabalhar na empresa, já tinha um cargo importante. Quando vai à festas, compra as pessoas. "Champagne de graça pra todos". Aos 16 entrou numa boate subornando o segurança. Ficou com o primeiro cara. Como as garotas de programa, tem uma vida dupla.
Realmente Antônio ama Natacha. Quando novo tinha tudo, a mãe que dava. O pai mal dava as caras, a certa altura morreu. Não tinha amigos, desde novo entrava na internet para se satisfazer. Depois contratava garotas de programa, mas mais para exercer seu poder sobre elas. Mandá-las fazer coisas. Seu lado homo (enrustido) satisfazia em boates, dark rooms. Na empresa demite as pessoas, não aceita fofocas, preza sua imagem. Não tem paciência. Acha justo o lugar que está: "Se eu estou aqui é pelo meu trabalho. A culpa não é minha de ter mendigo, criança pedindo esmola". Extremamente solitário, só revele sua fragilidade com Natacha, mas ainda tem preconceito, bate nela. Quando ela o abandona, se vê ainda mais só. Bebe whisky e cheira pó. Começa a ter sintomas, coceiras (psicofísico). Matava insetos quando criança, aprisionava eles. Desde cedo dava ordens à empregada, aos colegas. Com 16 anos, comprou um diploma e foi trabalhar na empresa, já tinha um cargo importante. Quando vai à festas, compra as pessoas. "Champagne de graça pra todos". Aos 16 entrou numa boate subornando o segurança. Ficou com o primeiro cara. Como as garotas de programa, tem uma vida dupla.
Trabalhando o tônus
Giselle observou que estávamos precisando de mais tônus! Diante disso, propôs um exercício em dupla em que trabalhamos o puxa-empurra de uma forma mais violenta e provocativa. Escolhi fazer com a Thamires para desenvolvermos mais a relação entre nossos personagens. Devíamos trazer também um texto, deixando que as sensações e estados gerados pelo movimento guiassem a emissão das palavras. Acessei um lugar novo do Antônio, a escrotidão que tinha dificuldades de acessar. Apesar de depois ter achado que me esguelei demais, gritando e esperneando, concluí que este lugar é possível, só que precisa ser dosado. Ele é mais sutil, seco, sarcástico.
Elegemos dois momentos que nos foram interessantes com a provocação feita pelo outro. Para mim um momento em que a Tham estava de costas e simplesmente não ouvia nada do que eu gritava e outro em que ela me deu um tapa. Giselle propôs uma ação e criamos uma pequena cena a ser desenvolvida: Susy está de costas para a parede e se move para a lateral, se escondendo, como se quisesse entrar na parede. Sussura um texto sobre sua vida, Antônio apensa gesticula. Quando Susy se cala, Antônio diz texto e vice-versa. Antônio busca seu olhar, mas Susy sempre vira a cara, fala e olha para o público algumas vezes. Antônio intensifica até que ela lhe dá um tapa na cara. Os outros atores - que estavam em cena na lateral- olham os dois. Susy se arrepende, volta pra parede. As pessoas formam um corredor, Susy começa a surtar. Fala com elas, até que começa a nadar no chão. Antônio faz uma última pergunta. Os atores saem.
Elegemos dois momentos que nos foram interessantes com a provocação feita pelo outro. Para mim um momento em que a Tham estava de costas e simplesmente não ouvia nada do que eu gritava e outro em que ela me deu um tapa. Giselle propôs uma ação e criamos uma pequena cena a ser desenvolvida: Susy está de costas para a parede e se move para a lateral, se escondendo, como se quisesse entrar na parede. Sussura um texto sobre sua vida, Antônio apensa gesticula. Quando Susy se cala, Antônio diz texto e vice-versa. Antônio busca seu olhar, mas Susy sempre vira a cara, fala e olha para o público algumas vezes. Antônio intensifica até que ela lhe dá um tapa na cara. Os outros atores - que estavam em cena na lateral- olham os dois. Susy se arrepende, volta pra parede. As pessoas formam um corredor, Susy começa a surtar. Fala com elas, até que começa a nadar no chão. Antônio faz uma última pergunta. Os atores saem.
Soltando as franga
Vindos de uma maré meio down dos personagens, Giselle nos pôs pra soltar as frangas, num aquecimento a partir da bacia, dos movimentos pélvicos. Em seguida, fizemos uma roda, cada um deveria seduzir os que estavam na roda. Foi quente. Depois, nos separamos em trios. Eu, Cris e Suelen elaboramos uma partitura a partir dessa sensual seduction:
Antônio aborda Gabi, Gabi o guia por todo seu corpo, de modo que ele vai cheirando aonde ela guia. Rapidamente, Natascha troca de lugar com Gabi e repete a mesma ação. Antônio percebe, se assusta e a rechaça. A cena se repete em outro ponto do espaço (possibilidade de ser outra GP). Quando Natascha assume a posição novamente, Antônio vai um pouco mais, mas desiste. A cena se repete, Antônio vai um pouco mais além e sai, atordoado entre o desejo e a negação. Na quarta vez, Antônio está com uma GP e Natascha o vira de frente pra si. Coloca suas mãos no seu peito, provocando-o. A GP sai. Os dois se cheiram, Antônio avança querendo um beijo. Natascha sai. Antônio sai. Natascha e GP se olham.
Antônio aborda Gabi, Gabi o guia por todo seu corpo, de modo que ele vai cheirando aonde ela guia. Rapidamente, Natascha troca de lugar com Gabi e repete a mesma ação. Antônio percebe, se assusta e a rechaça. A cena se repete em outro ponto do espaço (possibilidade de ser outra GP). Quando Natascha assume a posição novamente, Antônio vai um pouco mais, mas desiste. A cena se repete, Antônio vai um pouco mais além e sai, atordoado entre o desejo e a negação. Na quarta vez, Antônio está com uma GP e Natascha o vira de frente pra si. Coloca suas mãos no seu peito, provocando-o. A GP sai. Os dois se cheiram, Antônio avança querendo um beijo. Natascha sai. Antônio sai. Natascha e GP se olham.
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