Giselle observou que estávamos precisando de mais tônus! Diante disso, propôs um exercício em dupla em que trabalhamos o puxa-empurra de uma forma mais violenta e provocativa. Escolhi fazer com a Thamires para desenvolvermos mais a relação entre nossos personagens. Devíamos trazer também um texto, deixando que as sensações e estados gerados pelo movimento guiassem a emissão das palavras. Acessei um lugar novo do Antônio, a escrotidão que tinha dificuldades de acessar. Apesar de depois ter achado que me esguelei demais, gritando e esperneando, concluí que este lugar é possível, só que precisa ser dosado. Ele é mais sutil, seco, sarcástico.
Elegemos dois momentos que nos foram interessantes com a provocação feita pelo outro. Para mim um momento em que a Tham estava de costas e simplesmente não ouvia nada do que eu gritava e outro em que ela me deu um tapa. Giselle propôs uma ação e criamos uma pequena cena a ser desenvolvida: Susy está de costas para a parede e se move para a lateral, se escondendo, como se quisesse entrar na parede. Sussura um texto sobre sua vida, Antônio apensa gesticula. Quando Susy se cala, Antônio diz texto e vice-versa. Antônio busca seu olhar, mas Susy sempre vira a cara, fala e olha para o público algumas vezes. Antônio intensifica até que ela lhe dá um tapa na cara. Os outros atores - que estavam em cena na lateral- olham os dois. Susy se arrepende, volta pra parede. As pessoas formam um corredor, Susy começa a surtar. Fala com elas, até que começa a nadar no chão. Antônio faz uma última pergunta. Os atores saem.
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