segunda-feira, 28 de julho de 2014

Antônio: Individualidade e Indiferença

casca - exterior - forma - embalagem - apatia - blasé

interior - conteúdo - substância


indiferença: aniquilamento de todo sentimento.

Outros dualismos que podem se encaixar no grotesco e também no universo da prost. sexual:
aprovação e desgosto; maravilhamento e aversão; prazer e repugnância.

Humihar as pessoas, funcionários, familiares.Trabalho intelectual x Trabalho braçal - preconceito em relação às prostitutas.

O estilo de vida das grandes cidades estabeleceu um maior contraste nessas diferenças, além de estabelecer uma nova e característica forma de interação, que implica em relações anônimas e o desinteresse pela personalidade alheia. Implica também em aceitar uma ordem social injusta, através das diversas coerções sociais nem sempre evidentes, mas que dão origem a um processo de submissão que produz, quase sempre, uma atitude humilde, mesmo que mesclada de ressentimentos, naqueles que constituem a camada subordinada em uma determinada sociedade.

-> Em uma discussão, num encontro de Antônio com uma garota de programa ou travesti, ele poderia ser escroto e ela se resignar em uma atitude humilde. Isso acontece em Querô (Plinio Marcos), no momento em que Querô procura uma travesti e depois a agride violentamente. Por estarem nessa camada socialmente subordinada, essas pessoas são humilhadas e mesmo assim muitas vezes não reagem, não sabem o que dizer, abaixam a cabeça, por não reconhecerem seu valor ou não terem seu valor reconhecido na sociedade. O que Boal diz da consciência do domínio da palavra, imagem e som, como todos deveríamos deter esse poder.


Essa perda de valor, essa vulgarização das coisas marca o homem moderno, transformando-o no que Simmel chamou, em seu artigo A metrópole e a vida mental, de homem blasé (Simmel, 1979). Esse tipo é característico das metrópoles quanto a sua atitude de perseguição ininterrupta ao prazer, aos estímulos cada vez mais fortes e que muda rapidamente suas atitudes, muitas vezes contradizendo uma a outra.


-> Esse homem blasé pode se refletir no olhar de peixe morto, no desinteresse pelo outro, no não se afetar com problemas alheios e também em uma outra faceta, a da busca por prazeres imediatos, seja no sexo, nas drogas. A contradição pode aparecer na forma como trata a fonte desses prazeres, como objetos, instrumentos que trabalham para ele. 


 Essa busca crescente torna o indivíduo incapaz de reagir a novas sensações, transforma-se em alguém indiferente, não se surpreendendo com nada que aconteça. Simmel denomina essa atitude de "embotamento do poder de discriminar" e atribui o seu surgimento também à economia do dinheiro, pois arranca a individualidade das coisas, seu valor específico, sua incomparabilidade.


-> Para Antônio, o dinheiro existe como fim, e não como meio. E tempo é dinheiro.


A metrópole moderna transforma-se em um ambiente artificial, dominada pelo dinheiro e pela lógica contratual, cuja vida e produção é voltada para o mercado, composto de personagens, na maioria das vezes desconhecidos uns dos outros, cujos únicos laços que os mantém juntos são os interesses econômicos. O homem da metrópole é anônimo, distanciado de suas realizações e de seus vizinhos. É então que Simmel fala de egoísmos econômicos, em cujas relações os indivíduos não precisam temer falhas devido aos "imponderáveis das relações pessoais". A essa maneira de se relacionar intimamente ligada à economia monetária, em que os que estão próximos são indiferentes uns aos outros, em que as relações são meros reflexos de contratos de trabalho e de troca de mercadorias, Simmel chamou de "atitude prosaicista".


...apesar da proximidade física e de estarem rodeada de outras, as pessoas não se aproximam nem mental nem emocionalmente. O indivíduo está 'sozinho na multidão', como se diz muito freqüentemente. O homem da metrópole tem a opção de se tornar o que quiser, ninguém o impede, mas é justamente aí, onde a indiferença do outro lhe alcança, que o homem contemporâneo, em particular, se dá conta de sua solidão. Ser livre para quê e para quem, essa é uma questão importante.


Referência: artigo "Individualismo e conflito como fonte de sofrimento social", Disponível em: http://www.ies.ufpb.br/ojs2/index.php/politicaetrabalho/article/view/6479/4044

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